Jornal D'Aqui, entra na briga. Associações desrespeitam as leis. Sexta, 31 de março de 2006 @ (15:00:18)
Enviado por kim
Associação de Moradores não é Condomínio
por Altamir Borges.

Associações de Moradores de Bairro ou de Proprietários estão
processando, milhares de moradores da nossa região. (veja o depoimento
de algumas pessoas nesta reportagem). As Associações surgem, muitas
já existentes há muitos anos, para organizarem os moradores para
reivindicarem serviços públicos para o seu Bairro ou Loteamento.
Loteamentos são glebas de terra divididas em lotes, as ruas são
públicas e têm que ser preservadas áreas verdes e praças
(também públicas), portanto o responsável pela manutenção
destas ruas e também pela segurança desses locais é o poder
público. Já Condomínio é completamente diferente,
existe quando as áreas comuns são particulares (privadas), é
o que ocorre nos prédios de apartamentos, neste caso a propriedade fica
atrelada ao Condomínio. De uns tempos para cá, Associações
de Bairro ou de Proprietários têm tentado atrelar as propriedades
existentes nos Loteamentos às Associações, alegando que ali
existe um Condomínio. “Isto é falso e perigosamente coloca
em risco a propriedade das pessoas, que se não reagirem, terão seus
imóveis atrelados a um ônus para o resto da vida.”
Associações de Moradores de Bairro ou de Proprietários estão
processando, milhares de moradores da nossa região. (veja o depoimento
de algumas pessoas nesta reportagem). As Associações surgem, muitas
já existentes há muitos anos, para organizarem os moradores para
reivindicarem serviços públicos para o seu Bairro ou Loteamento.
Loteamentos são glebas de terra divididas em lotes, as ruas são
públicas e têm que ser preservadas áreas verdes e praças
(também públicas), portanto o responsável pela manutenção
destas ruas e também pela segurança desses locais é o poder
público. Já Condomínio é completamente diferente,
existe quando as áreas comuns são particulares (privadas), é
o que ocorre nos prédios de apartamentos, neste caso a propriedade fica
atrelada ao Condomínio. De uns tempos para cá, Associações
de Bairro ou de Proprietários têm tentado atrelar as propriedades
existentes nos Loteamentos às Associações, alegando que ali
existe um Condomínio. “Isto é falso e perigosamente coloca
em risco a propriedade das pessoas, que se não reagirem, terão seus
imóveis atrelados a um ônus para o resto da vida.”
Explica o advogado e jornalista Nicodemo Sposato, presidente da Avilesp (Associação
das Vítimas dos Loteamentos). “Os proprietários desses locais
estão perdendo o direito de terem suas propriedades livres, como consta
na sua escritura”, acrescenta Sposato. O publicitário Mário
Ranbelli, 82 anos, e sua esposa Guiomar foram uns dos primeiros moradores do
Jardim Mediterrâneo, “não havia nenhuma infra-estrutura quando
fundamos a Sociedade Amigos do Mediterrâneo. Por problemas profissionais
e pela nossa idade, ficamos sem condições econômicas e estamos
sendo processados. Que este depoimento alerte as pessoas, para que não
aceitem perder o direito de terem suas propriedades livres.” A professora
Maria Cecília Melusi, presidente da Associação dos Moradores
do Parque Primavera, diz que como moradora é contrária a transformação
em Condominio. “Pesquisei o assunto, sei que não pode, por que
temos áreas públicas e ruas públicas”.
Ana Maria e Sílvia: “não queremos perder um direito”
Era assim
Associações de Moradores surgiram para aglutinar as pessoas principalmente
em busca dos serviços do poder público. Os moradores se reuniam
em associações e iam ao poder público reivindicar que a
viatura da polícia passasse pelo bairro, que a Prefeitura arrumasse e
limpasse as ruas. Quando resolviam, por exemplo, colocar uma guarita e uma cancela
na rua, faziam um rateio entre associados e não associados (que contribuíam
espontaneamente). Isso funcionou bem por muitos anos, e funciona assim em alguns
locais ainda hoje. Todos os que moram há anos nesses locais sabem que
naturalmente, algumas pessoas não achavam a solução adequada
e não participavam desse rateio ou tinham problemas financeiros e não
podiam contribuir. . Um mês arrecadava-se mais, outro menos (como disseram
alguns moradores que já foram presidentes de Associações
de Bairro),“ sempre mantínhamos o serviço, sem ofender o
direito de ninguém”, diz por exemplo Marcelo Murua – ex-presidente
da Associação Amigos do Horizontal Park. No Jardim Lambreta –
rua Matos Costa e rua Monte Alegre, há anos foi também colocada
uma cancela e uma guarita. A Sociedade Amigos construiu a guarita com a cotização
dos moradores (sem obrigatoriedade e respeitando o direito de ir e vir de todos)
e até hoje funciona, nunca foi imposto a cobrança a ninguém
(no local existem cerca de 30 residências). A vigilância é
contratada pelos moradores individualmente (quem quer paga, quem não
pode ou não quer colaborar, não é obrigado), a Associação
apenas cede à empresa de vigilância a guarita para permanência
dos vigias. O Residencial Santa Paula, um dos maiores residenciais da cidade
de Cotia na região de Caucaia, é administrado pela própria
Sociedade Amigos do Santa Paula. “Não há nenhuma cobrança
obrigatória e tem portaria, cancela, etc. Até coleta de águas
pluviais é feita, e não há cobranças compulsórias”,
diz o advogado Aydmar João Pereira Faria, cujo escritório em Cotia
dá consultoria jurídica para o loteamento.
Estes exemplos mostram que mesmo que houvesse problemas no jeito antigo de
administrar, com a cobrança espontânea consegue-se bons resultados.
Nicodemo Sposato da Avilesp
Cobrança compulsória
De algum tempo para cá, a situação mudou. E os moradores
de uma hora para outra passaram a ser obrigados, todos, a pagar uma taxa para
as Associações. O aposentado Eugenio Saraiva, de 76 anos, morador
há mais de 20 anos no Horizontal Park diz, “com o que ganho de
aposentadoria não consegui pagar o que querem e agora me cobram quase
8.000,00 reais de dívidas na justiça. Quando vim para cá
nada tinha, ajudei a que o lugar ficasse bom, agora querem praticamente me expulsar
daqui”. Os casos como o do sr. Eugenio não são exceção,
centenas de pessoas que moravam há anos nos locais começaram a
ser cobrados, inclusive retroativamente.Para o advogado Aydmar o problema está
em que as Associações querem transformar esses locais em Condomínios
quando não são”. De uns tempos para cá passaram a
contratar Administradoras de Condomínios, que têm um bom sistema
de cobranças. “As Administradoras fazem o seu trabalho, mas é
preciso ficar claro que são prestadoras de serviço e que almejam
lucros, devem então ser respeitados os direitos vigentes dos cidadãos,
como acontece em negócio empresarial”, diz Nicodemo Sposato. E
explica: O sr. Eugenio, por exemplo, não deveria ser obrigado ao pagamento,
ele tem todo o direito de não ser associado, ou deixar de ser sócio
e não ser obrigado mais a pagar.” As taxas cobradas são
associativas e não condominiais. Além do que, ele adquiriu o terreno
muito antes da existência de qualquer Associação. “Só
aí já são dois direitos dele que estão sendo aviltados”,
diz o advogado Sposato. Se há uma relação econômica
(prestação de serviços, com lucro para a Administradora),
existe o Código do Consumidor e o Código Civil que diz que só
vale entre as partes aquilo que se estabelece através de contrato e ele
não assinou contrato pedindo serviços à Associação.
“Não se sabe por que todos esses direitos tão nítidos
estão sendo desrespeitados, não há uma só Lei que
ampare essas cobranças”, diz Sposato.
Joana Tornich, há vinte anos moradora do Horizontal Park está
indignada em ser acusada de enriquecimento ilícito. “É um
absurdo dizerem isso, num país com tanta corrupção... quando
era esponâneamente, eu negociava e pagava, mas agora não concordo”.
As Associações afirmam que o proprietário não pagante
enriquece ilicitamente porque seu imóvel valoriza com os serviços
prestados. A Avilesp afirma que nos processos verificou que isso tem sido tratado
apenas “no achismo”, acham que valoriza. Além do que, um
imóvel valoriza por diversos motivos, pela infra-estrutura existente,
pela implantação de escolas e comércios próximos.
O fato de existirem taxas tem desvalorizado os imóveis. “Muitos
não querem comprar um imóvel com taxas obrigatórias”,
afirma Sposato. O Código Tributário Nacional (Lei 5172) prevê
no seu artigo 81 que o governo federal, estadual ou municipal quando executar
uma obra, que beneficie com valorização imóveis, pode cobrar
uma taxa de melhoria Mas para poder cobrar essa taxa, terá que apresentar
laudos, projetos, avisar antes os moradores e calcular um fator de valorização
(artigo 82). Tudo isso o governo terá que fazer para cobrar uma taxa
do cidadão, que foi beneficiado com uma valorização no
seu imóvel pela obra pública. Já as Associações,
como se vê nos processos podem simplesmente “achar” que existe
a valorização do imóvel, para acusarem o morador de enriquecimento
ilícito e fazerem a cobrança.
Princípios:
Associações são criadas por pessoas que pactuam de um
determinado princípio, de um jeito de ver as coisas, e se associam a
elas os que naturalmente concordam com isso. Não são obrigadas
a permanecerem associadas. Esse é um principio que tem guarida na Constituição
Federal.
“Temos que ter o direito de sair da Associação quando não
concordamos com os rumos tomados ou não pudermos pagar e não podemos
ser obrigados a contribuir”, diz Ana Maria Lima e Silva, também
moradora no Horizontal Park, enfatizando que a questão não é
só de poder pagar ou não, mas também de princípios.
“Eu tenho esse direito, por que perdê-lo? Podemos ter momentos de
dificuldades, portanto acho que as contribuições deveriam ser
espontâneas como eram antes”.
Abilio Manoel, músico morador do Parque Primavera, diz ”me afastei
da Associação quando percebi o uso irregular de áreas públicas,
por princípio não podia pactuar com isso” . É o caso
também de Edgar Martins do Algarve, que entre outras coisas nao queria
a construção irregular de um clube em área pública.
Ambos estão sendo acionados, para pagarem as taxas da Associação,
inclusive retroativas.
Silvio Cabral Filho, presidente da ASCHON - Associação dos Condomínios
Horizontais do Estado de São Paulo, diz que as Associações
não cobram taxas de condominio, mas cobram pela prestação
de serviços. “Se é assim, tem de haver contrato entre as
partes” dizem os advogados da Avilesp. Como acontecia antigamente, as
Associações apresentavam uma empresa de segurança, e facultavam
aos moradores fazerem ou não contrato com tal empresa
“As associações não podem dizer que colocam serviços
a disposição como se fossem o Estado.” explica Sposato.
O músico Abílio Manoel abriu processo
Moradores questionam segurança
Os loteamentos fechados têm problema de segurança, tanto quanto
os locais abertos, na nossa região. Estatisticamente, não se pode
falar que esses locais estão mais seguros. Moradores questionam o valor
pago nesses locais e querem a entrada da Polícia.
Por exemplo, no Parque Primavera, (na estrada da Aldeia, em Carapicuíba)
recentemente ocorreram assaltos, dois deles na casa de Irme Kreutz Lopes. Na
primeira vez, diz a moradora, “ficamos quatro horas na mão dos
bandidos, eles pularam o muro e entraram na minha casa facilmente. Meu genro
foi obrigado a sair com eles e passaram pela portaria sem nenhum problema”.
Na segunda vez, cerca de um mês após o primeiro assalto, Irme chegou
e encontrou os assaltantes já dentro de sua casa, ficando, desta vez,
das 15h às 20h. Disseram que voltaram por que o seguro já devia
ter reposto tudo que levaram da vez anterior, foi aterrorizante, diz Irme. Novamente
fugiram pela portaria, desta vez levando Irme como refém. “Fui
deixada logo depois na Estrada da Aldeia”. Irme diz que sua filha ligou
para a portaria e pediu para que a Polícia fosse avisada, mas não
o fizeram. “Somente no outro dia fizemos o BO, em nenhum momento a Polícia
apareceu. Estamos ainda apavorados, e com receio de ficar em nossa própria
casa. Pagamos caro por uma segurança que não funciona, por outro
lado parece que a Polícia acha que não precisa nos dar segurança”,
desabafa Irme. Maria Cecília Melusi, que é presidente da Associação
dos Moradores do Parque Primavera, diz que a Polícia não foi avisada
pela portaria, tanto no primeiro assalto quanto no segundo, a pedido da família
das vítimas.
Os assaltos a esses loteamentos acontecem com frequência e a Delegacia
da Granja acaba de anunciar que em janeiro prendeu uma quadrilha especializada
em roubar em loteamentos fechados. Nas reuniões do Conseg, os moradores
têm solicitado que a polícia faça rondas dentro do loteamento.
Na última reunião, o capitão Hamilton de Sousa estava com
a palavra quando teve que interromper e atender uma chamada de urgência,
um assalto com reféns dentro do Residence Plaza, um residencial localizado
na região da Granja. A PM prendeu os assaltantes.
Como se vê, é imprescindível a atuação da
Polícia, mas o Jornal d’aqui teve acesso a um relatório
de uma empresa de segurança sobre um incidente causado, segundo os funcionários
da empresa pela PM. “ Eles queriam entrar sem mandato”, dizia o
relatório. Mandato para entrar em local público? O episódio
revela que o poder público (no caso as Polícias) foram afastadas
desses locais.
Jurisprudência:
Decisões de Tribunais Superiores a respeito das cobranças.
Embargos de divergências em Resp Nº 444.931 - SP (2005/0084165-)
Superior Tribunal de Justiça
Ementa - As taxas de manutenção criadas por associações
de moradores, não podem ser impostas a proprietário de imóvel
que não associado, nem aderiu ao ato que instituiu o encargo. Brasilia,
26 de outubro de 2005 (Data do julgamento).
Recomendação:
A AVILESP recomenda que as pessoas, ao receberem estas cobranças, consultem
um advogado de sua confiança e não tenham receio de questionarem
as cobranças na justiça.
www.avilesp.com.br
defesapopular@ig.com.br
4242-1314
4614- 33 68
Consultor Jurídico
Bence Pál Deák
Tel:3068- 9488 |